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O homem de giz

  • Foto do escritor: Jhenifer Souza
    Jhenifer Souza
  • 30 de out. de 2018
  • 4 min de leitura

Estava tão ansiosa para ler essa coisa linda. E, como prometido, esse livro tem um pouco de Stephen King e Stranger Things (duas coisas que eu amo), não tinha como ser ruim, não é mesmo? Apesar de ser fininho, a autora consegue desenvolver de forma esplêndida a história e os principais personagens. Inclusive, essa autora merece todos os elogios possíveis, pois esse foi seu romance de estreia. Nem todas as respostas são respondidas neste livro, como o Ed (personagem e narrador da história) ressalta, mas acredito que isso o deixou ainda melhor. O livro é narrado no passado (1986) e presente (2016) quando Ed tenta entender e relembrar todos os acontecimentos de 30 anos atrás quando coisas estranhas e mortes aconteceram. Além disso, o livro tem críticas incríveis abordadas de maneira muito responsável, como aborto, o papel da mulher na sociedade e religião. Um dos favoritos desse ano, não tenho uma crítica sequer, exceto, talvez, o fato de ter acabado rs. Gostei demais do grupinho de personagens principais, essa vibe de amigos que vão a todos os lugares juntos de bicicleta e que inventam códigos secretos através de desenhos de giz. "As pessoas dizem que não há nada mais forte do que o amor. Estão certas. Por isso as piores atrocidades são sempre cometidas em seu nome." "Não. Nenhum de nós está realmente preparado para a morte. Para algo tão definitivo. Como seres humanos, estamos acostumados a controlar nossas vidas. A estendê-las até certo ponto. Mas a morte não aceita argumentos. Nenhum apelo final. Nenhum recurso. Morte é morte, e ela detém todas as cartas. Mesmo que a enganemos uma vez, ela não vai nos deixar blefar na segunda." "É curioso como reparamos em coisas estranhas nos momentos mais terríveis." "Acho que foi a primeira vez que compreendi como as coisas podem mudar de uma hora para outra. Como tudo o que temos por certo pode ser arrancado de nós."


"Há certas coisas na vida que se pode alterar - o peso, a aparência, até o próprio nome -, porém há outras que são imutáveis, independentemente da força de vontade, do esforço e do trabalho árduo. São estas coisas que nos moldam: não as que podemos mudar, mas as que não podemos." "Os idiotas correm para onde os anjos têm medo de pisar. A meu ver, significa que é melhor ser idiota do que ser anjo." "Entoavam um monte de coisas sobre o amor, mas pareciam cheios de ódio." "Espero que as pinturas a ajudem na convalescença. Uma menina como Elisa passou a vida inteira ouvindo que era linda. Quando isso é tirado, pode dar a impressão de que não resta mais nada. Mas resta, sim, por dentro. Quero mostrar essa beleza para ela. Quero mostrar que ainda há algo a que vale a pena se apegar." "Ainda me lembro do cheiro e dos enormes olhos castanhos quando nos ajoelhamos ao seu lado. Estavam muito confusos. E, no entanto, tão gratos. Como se fôssemos dar um jeito. Só que não podíamos. Pela segunda vez naquele dia entendi que há certas coisas que não dá para consertar." "Eu me pergunto se os santos precisam levar vidas completamente irrepreensíveis ou se é possível viver como pecador, realizar alguns milagres aqui e ali e acabar sendo santificado. Parece que as coisas são assim na religião. Mate, estupre e mutile, mas tudo será perdoado caso você se arrependa. Isso nunca me parece justo. Mas, afinal - assim como a vida -, Deus não é justo."

"O refrão diz que ninguém é lembrado pelo que não fez. Mas isso não é de todo verdade. Minha vida foi definida pelas coisas que não fiz, pelas coisas que não disse. Acho que o mesmo acontece com várias pessoas. Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões. Não necessariamente as mentiras, apenas as verdades que não dizemos."

"Você precisa entender que ser uma pessoa boa não é cantar hinos ou orar para algum deus. Não se trata de ostentar uma cruz ou ir à igreja todo domingo. Ser uma boa pessoa tem a ver com a maneira como você trata os outros. As pessoas boas não precisam de religião, porque sabem em seu íntimo que estão fazendo a coisa certa."

"Engraçado como os princípios vão para o espaço quando o bebê indesejado é seu e é a sua vida." "De certa forma, o funeral do meu pai ocorreu com vários anos de atraso. O homem que eu conhecia morrera havia muito tempo. Restava apenas uma casca vazia. Todas as coisas que o faziam ser quem era - compaixão, humor, afeto, até mesmo suas péssimas previsões meteorológicas - tinham desaparecido. Suas lembranças também. E talvez isso fosse o pior. Afinal, quem somos nós além da soma de nossas experiências, das coisas que aprendemos e colecionamos ao longo da vida? Sem isso, não passamos de um conjunto de pele, ossos e vasos sanguíneos." "Acho que não devemos julgar o valor de alguém com base na quantidade de pessoas que aparecem quando ela morre. A maioria das pessoas tem muitos amigos. E uso o termo "amigos" informalmente. "Amigos" virtuais não são amigos de verdade. Amigos de verdade são outra coisa. Amigos de verdade ficam do seu lado a qualquer custo. Amigos de verdade são pessoas que você ama e odeia na mesma medida, mas que são parte de você tanto quanto você mesmo."


Jhenifer Souza

 
 
 

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