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A Resposta

  • Foto do escritor: Jhenifer Souza
    Jhenifer Souza
  • 27 de nov. de 2018
  • 4 min de leitura

A resposta (ou the help, ou, ainda, como no filme: histórias cruzadas) conta a história de três personagens (cada uma com seu ponto de vista). Skeeter é uma das madames brancas que acabou de se formar na faculdade e quer ser escritora, mas ainda está em busca de um emprego. Aibileen é uma empregada doméstica negra que trabalha para uma família branca e sua patroa é amiga de Skeeter. Minny é outra empregada doméstica e melhor amiga da Aibileen. A história se passa nos anos 60, uma época em que os negros ainda sofriam muito com racismo nos Estados Unidos, não podiam dividir o banheiro com seus patrões brancos, nem o mercado, nem a biblioteca da cidade. Eles eram vistos como doentes e sujos. Skeeter foi praticamente criada por Constantine, mas quando retorna da faculdade, sua mãe revela que ela foi embora... Skeeter tenta de todas as maneiras entender o que de fato aconteceu, porém ninguém conta. Após se sentir incomodada com a forma com que ela vê que as empregadas negras estão sendo tratadas, pede a ajuda de Aibileen para escrever um livro com esses relatos, para entender como é a rotina de trabalhar para uma família branca. Nem tudo é terrível... ela descobre que há patroas incríveis que não tratam a empregada com desprezo por conta da cor da pele (Celia e Lou Anne <3). Aibileen conta que, durante sua vida já criou muitos bebês brancos, mas assim que eles começam a ir para a escola e tratá-la diferente por ser negra, ela costuma ir para uma nova casa. Esse livro é incrível, por mim ele poderia ter 1000 páginas e detalhar todas as histórias de todas as mulheres. A autora conta que, teve essa ideia por ter tido uma empregada negra quando era mais nova e que nunca ocorreu a ela perguntar como era trabalhar para uma família branca. Ela diz ainda que, jamais saberá como é ser negra e ainda mais nos anos 60, mas que tentar entender é vital para a humanidade de qualquer pessoa. Este foi seu romance de estreia e posso dizer que ela soube muito bem o que estava fazendo.

As três personagens são MARAVILHOSAS.. Minny é durona e desbocada, porém passa por situações horríveis em casa, com seu marido, ao mesmo em que começa a trabalhar com uma mulher que a trata como amiga. Aibileen é muito sensível, faz de tudo para que a atual criança que está cuidando se sinta importante e nunca a menospreze por ser negra. E, por último, Skeeter sabe que tem muito a aprender, ela tem noção de seu privilégio e passa a não achar tão normal assim quando suas amigas desprezam as empregadas por serem negras e quer, de certa forma, mudar ao menos um pouco a forma com que são tratadas. Uma das melhores leituras desse ano.. acho que encontrei o meu Precisamos falar sobre o Kevin deste ano.. aquele livro que eu vou falar incansavelmente e indicar todos os dias para uma pessoa diferente.


Muito pouco, muito tarde "A gente tá contando histórias que precisam ser contadas." "Não sei o que dizer pra ela. Só o que sei é que eu não vou dizer nada. E eu sei que ela não vai dizer o que quer dizer também e é uma coisa estranha o que acontece aqui, porque ninguém tá dizendo o que quer dizer e, mesmo assim, de algum jeito, é uma conversa que tá acontecendo." "Se chocolate fosse um som, seria a voz de Constantine cantando. Se cantar fosse uma cor, teria sido a cor daquele chocolate." "Quando não estiver fazendo cópias mimeográficas ou providenciando o café do seu chefe, olhe ao redor, investigue e escreva. Não perca tempo com as coisas óbvias. Escreva sobre aquilo que a incomoda, sobretudo se isso não incomoda a mais ninguém."

"Acho que foi aí que entendi o que era vergonha, e também a cor da vergonha. Vergonha não é escura, como pó, como eu sempre pensei que fosse. A vergonha é da cor do seu uniforme branco novo em folha que sua mãe pagou com o suor de noites a fio passando roupas pra fora, branco sem nenhuma mancha de sujeira deixada pelo trabalho." "Obrigada. Sim, obrigada, para cada uma. Meu alívio é amargo, foi preciso o encarceramento de Yule May para nos levar a isso." "A dicotomia de amor e desprezo vivendo lado a lado é o que me surpreende. A maioria é convidada para o casamento das crianças brancas, mas só se for de uniforme. Essas coisas eu já sei; no entanto, ouvi-las da boca de pessoas de cor é como ouvi-las pela primeira vez." "É como se ninguém quisesse ser o primeiro a quebrar o silêncio. Nada parece importante o suficiente para isso."

"A data é 18 de janeiro de 1964, sexta-feira. Estou usando um vestido preto folgado. Minhas unhas estão completamente roídas. Vou me lembrar de todos os detalhes deste dia, penso, do mesmo jeito que as pessoas dizem que nunca vão esquecer que sanduíche estavam comendo, ou a música que tocava no rádio, quando ficaram sabendo que Kennedy fora assassinado."


"Às vezes, não tenho certeza de que valeu a pena. Se alguma coisa acontecer com você... como é que eu vou viver com isso, sabendo que foi por culpa minha?" "Você precisa se lembrar: cada uma dessas assinaturas quer dizer que valeu a pena."




Jhenifer Souza

 
 
 

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